Foto Gabriel Haesbaert, arquivo, 28/02/2018
Há duas possibilidades em estudo: fazer uma nova pista ao lado da atual ou construir um novo aeroporto até 43 km de distância da Base.
D epois que a Aeronáutica e a Secretaria da Aviação Civil (SAC) definiram que uma obra de reforço da pista atual da Base Aérea de Santa Maria precisaria de uma nova camada de 40cm e custaria R$ 150 milhões, agora estão na fase final do próximo passo. Até o fim de maio, os engenheiros devem definir em qual local poderia ser feita uma pista nova, que pode ser ao lado da atual ou em outro terreno a até 43 km da Base Aérea. As informações são do secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação de Santa Maria, Ronie Gabbi, que está acompanhando de perto e trabalhando em parceria com os órgãos federais para viabilizar o projeto de uma nova pista ou novo aeroporto na cidade capaz de comportar voos diários de aviões maiores, a jato, como Boeing e Airbus, já que a pista atual da Base só permite pousos diários com aeronaves turbohélices ATR, de até 70 lugares.
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– Se a gente gastasse esse valor (R$ 150 milhões) para reforço da mesma pista, ainda teremos sobreposição de voos militares e civis e não teríamos solução definitiva. A SAC abre, então, outra dimensão, que é a possibilidade de uma nova pista. E ela está em uma etapa de estudo de localização. Tem duas frentes: uma possibilidade bastante forte de uma nova pista dentro do território da Aeronáutica, uma pista lateral dentro da Base Aérea, e outra possibilidade é de uma pista fora da Base. Nessa fase agora, está um estudo técnico, com imagens de satélite, pela equipe do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) e da SAC, considerando áreas de alagamento, altitude, correntes de vento e deslocamento de neblina. Quando se concluir esse relatório, vamos ter ideia se fortalecer a proposta de uma nova pista dentro da Base Aérea ou a opção de uma pista fora dali. Sendo dentro ou fora, o equipamento de aviação de radar permanece o mesmo. No caso de uma pista fora, só o equipamento de navegação da pista seria necessário. Torre e radares de aproximação, permanecem os mesmos, e não teria um custo adicional por fazer uma pista fora da Base. Enquanto gestores do aeroporto, nunca chegamos nesse estágio – disse Gabbi.
Segundo ele, até o final de maio, a análise de localização da nova pista deve ser concluída pela SAC e Aeronáutica:
– Em junho, começa a sexta etapa, de análise de solo, altimetria. Virá uma equipe técnica de Brasília que vai fazer as análises in loco do local que for determinado para fazer a nova pista. Depois, começa a execução do projeto da nova pista.
A partir do projeto, há outros passos futuros, como licitar e executar as obras, o que pode levar alguns anos. Talvez um novo aeroporto possa custar entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões, segundo projeções iniciais. Gabbi diz que a SAC indicou haver recursos para essa obra.
Opinião do colunista
Eu acompanho as discussões sobre voos regionais e ampliação ou construção de um novo aeroporto em Santa Maria há mais de 20 anos e posso garantir: pela primeira vez, parece ter sido vencida a barreira política e há cooperação da Aeronáutica e da SAC, que realmente estão fazendo estudos técnicos de reforço da pista atual da Base e também de uma nova pista, seja ao lado da atual, ou fora dali, para construir um novo aeroporto civil capaz de comportar voos diários de aviões a jato. Provavelmente, levará alguns anos para isso sair do papel, mas realmente é um grande avanço ter rompido essa barreira política que trancava tudo.
Claro que parece muito R$ 200 milhões para um novo aeroporto, mas a título de comparação: para reforçar as encostas em 25 pontos das BRs da região, o Dnit está gastando agora R$ 226 milhões. Ou seja, construir uma nova pista ao lado da atual na Base ou um novo aeroporto para Santa Maria não é fácil, mas também não é impossível. Basta vontade política.
Prefeitura pede mais voos para a Azul
Está prevista para a segunda quinzena de abril uma reunião da Azul com o governo do Estado para tratar da ampliação de voos regionais no Rio Grande do Sul. Depois disso, a prefeitura teve a confirmação da Azul de que, em maio, será tratado o aumento dos voos em Santa Maria, em reunião entre a companhia aérea e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Santa Maria.
– A prefeitura pediu e vai pedir para a Azul, nessa reunião, voos diários de Santa Maria a Porto Alegre, dois voos semanais para Florianópolis e dois a três voos para Campinas ou São Paulo – afirmou Gabbi.
Atualmente, Santa Maria tem três voos semanais a Porto Alegre: às terças, quintas e sábados. A guerra do Oriente Médio e a alta de 20% no querosene de aviação no Brasil podem prejudicar a ampliação de voos por parte da Azul agora.